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—Talvez o único jeito de seguir em frente seja desligar-se mais de si mesmo… e conectar-se mais a alguma coisa.
— Um hobby, você quer dizer?
— Alguém.
— Apaixonar-me, ter filhos.
— É, por que não?
— Tentei me apaixonar muitas vezes, você sabe.
— Não sei se era amor.
— Ainda assim, minha experiência de amor é se animar achando que alguém pode curar seu coração, e se desapontar ao perceber que não podem. Outro perigo é que, sem amargura, rancor, sarcasmo, esnobismo e aversão a si mesmo, pode não restar nada.
Querida, você é o mar
Sobre o qual eu flutuo
E eu vim aqui pra conversar
Eu acho que você deveria saber
Olhos verdes
Você é aquela que
Eu queria encontrar
Qualquer um que
Tentou rejeitar você
Deve estar fora de si
Porque eu cheguei aqui com um fardo
E ele parece tão mais leve
Desde que eu encontrei você
E, querida, você deveria saber
Que eu nunca poderia continuar
Sem você
Sua cabeça vai quebrar, mas não há nada dentro dela, e você se perguntará, onde está minha mente?
Quando contei meus demônios
Vi que havia um para cada dia…
DO VINHO DESSA BOEMIA
Deitada entre minhas pernas
ela cutuca uma pinta na minha coxa esquerda,
fala sobre as estradas
e me pergunta sobre as horas
Eu murmuro
que os relógios não servem pra nada
Ela até sorri-
como quem pensa em ficar.
Então a gente se abraça,
aquele abraço que não passa
e enquanto o blues na vitrola
marca o corpo d'uma na outra
Ela fala que o tempo,
demorou tanto tempo
para que em tempo a gente se juntasse.
Do vinho dessa boemia
desencanta uma sexta-feira quente
Cheia de cheiro de pele.
E eu ali, tranquila por ver por perto
quem ocupa meu coração.
Wayne: — Elaine. Nenhuma mulher se entregou pra mim como você. Você é diferente de todas as outras que conheci. Sem jogos, sem planos. Você parece viver a vida como ela é.
Elaine: — E tem outro jeito de viver a vida?
Wayne: — Bom, as outras mulheres com quem estive, todas queriam que eu fizesse um monte de promessas assim que dormíamos juntos. Mas, como você pode se comprometer com alguém que nem conhece? É loucura.
Elaine: — Eu sei, baby. Eu sei.
Wayne: — Nunca pensei que quisesse me amarrar a alguém, mas é porque ninguém precisa ser a pessoa certa. Todas as mulheres por quem sou fisicamente atraído, nunca são inteligentes o bastante. E todas as inteligentes são caseiras e não me despertam nada. Fui solitário a minha vida toda, pensando que não precisava de ninguém. Mas agora não tenho mais certeza. Elaine, estou assustado. Não estou acostumado a sentir coisas assim tão fortes.
— afinal de contas, é amor ou apenas luxúria?
— tem diferença?
— ah, tem. amar alguém é dar, e então querer dar mais.
— e a luxúria? o que é?
— a luxúria é tomar, e depois tomar mais ainda. é devorar, consumir. nenhuma lógica, nenhuma razão. o que é?
— ambos. eu quero dar tudo a ela… e quero tomar tudo dela.
(“pecado original”, 2002)

